Blima Bracher

Ouro Preto: repúblicas estudantis doam cestas básicas

Estudantes doam cestas básicas

Criado ano passado, o projeto “Paraná Solidária” teve a segunda edição concluída. A ação partiu dos estudantes moradores de repúblicas federais da Rua Paraná, no centro histórico de Ouro Preto: Nau Sem Rumo, Pulgatório, Aquárius e Ninho do Amor.

Neste momento em que a pandemia da Covid-19 continua afetando a todos, especialmente as famílias em situação de vulnerabilidade e instituições que atendem pessoas carentes, a solidariedade e empatia se tornam sentimentos que amenizam as dificuldades desta parcela. Cientes disso, um grupo de alunos da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), pelo segundo ano consecutivo e no prazo de 30 dias, realizaram ação concreta com a arrecadação de R$ 9,200 revertidos em 141 cestas básicas.

A ideia de criar tal iniciativa se deu pelo consenso comum, entre as quatro casas envolvidas, em dar retorno positivo para a sociedade ouropretana que os acolhe por cerca de cinco anos de vida acadêmica e de convivência na cidade. “No passado, a sociedade local tinha uma má imagem da comunidade estudantil devido uma série de atritos entre os dois lados. Hoje, a realidade social e de comportamento é bastante melhor e, para cessar esse ranço existente, queremos através de ações válidas estreitar os nossos laços com as pessoas que são naturais daqui”, destaca Guilherme Soares, 23 anos, estudante do curso de Farmácia e morador da Rep. Nau Sem Rumo.

Este ano, além do Lar São Vicente de Paulo e da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), famílias do bairro Santa Cruz e as ‘comadres’ da Rua Paraná também foram contemplados. Aliás, ‘comadre’ é o termo pelo qual os estudantes conhecem as mulheres que atuam como domésticas nas repúblicas. “Escolhermos estas instituições, pois acreditamos no trabalho sério e correto que desenvolvem em Ouro Preto. Já a comunidade escolhida é uma das mais carentes na cidade e as comadres são batalhadores e, também, de origem humilde”, explica Lucas Emanuel, 22, estudante do curso de Estatística e morador da Rep. Pulgatório.

O dinheiro arrecadado partiu dos amigos e ex-alunos das repúblicas – pessoas que frequentam e moraram nas casas durante o período acadêmico na Ufop. Na primeira edição, em 2020, a arrecadação foi de R$ 10 mil revertidos em 193 cestas básicas. Porém, com a alta dos preços este ano, a arrecadação e o número de cestas foi um pouco menor; fator que não anula a importância da iniciativa, pois não se trata de competição.

Estudante do curso Engenharia de Minas e morador da Rep. Aquárius, Vitor Brito, 21, salienta que “tudo foi idealizado e realizado de forma coletiva e com parcerias. Algo tão abrangente não se faz sozinho. Além dos amigos e ex-alunos que se engajaram, tivemos o apoio de alguns comércios locais através de voluntariado, descontos e promoções. Por isso, agradecemos ao Supermecados Farid, Disk Cerveja do Léo, Clínica Ciclo Odonto, Jhonnie Grill. Mambo.REC e, também, a Associação das Repúblicas Federais de Ouro Preto (REFOP)”.

– Tradição –

Além de cidade histórica, por também ser universitária, anualmente Ouro Preto recebe incontáveis estudantes de várias partes do Brasil e, inclusive, de outros países. Uma parte deles passam a residir em imóveis históricos transformados em repúblicas para abrigá-los. As moradias são tradicionais na cidade e, embora sejam propriedades da União, contam com estatuto, gestão e custeio próprio, fazendo prestação de contas anual a Ufop.

“Precisamos mostrar que as repúblicas podem e querem ajudar. Embora encontremos um sistema semelhante em Coimbra, Portugal. Acredito que, hoje, só em Ouro Preto exista essa relação do estudante que volta à república todos os anos depois de formar para manter vínculos com a casa e a cidade. Isso é único!”, frisa Carlos Alencar, 24, estudante de Engenharia de Minas e morador da Rep. Ninho do Amor.

*texto de Sandro Andrade.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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