Blima Bracher

Crônica ao poeta Guilherme Mansur

Tua aura, poeta, costurada aos elos de teus cabelos brancos. Tua órbita, poeta, saltando a íris e ocupando pálida e escrutínia, os espaços circundos. Tua ira, poeta, contida em dores de masmorra etérea. Porque merecer tal castigo, como um escravizado de guerra em grilhões? Mas como disse Aleijadinho ” a única doença é a da alma”. Então foste bento como um passarinho. E voou galáxias mentais, ancestrais, abissais. Metamorfoseou-se em “Caravalo”. E pousou torcido sob o sol de outono. Pela janela ecoou teus sonhos. Voaram sílabas. Viveram pontos. Exclamaram vírgulas. Dançaram dois pontos e se esquadrinharam três pontos, enquanto quebravas a métrica, a rima e a p* toda. Era o mais estridente silêncio, quando te queriam verbo. E o verbo foi libertado em gritos. Já não vibra tua garganta estuprada em tubos. Mas em Vila Rica és venerado. Gráfico. Obscuro. Soturno. Vadio. Jamais vazio. Ondas mentais, garras de felino. Lábios de lamber de lado. Queixo de apontar o avesso. Olhos de crica a bater no tempo. Tuas dores, poeta, nunca as sucumbiu, pois que tua saúde era de alma! Crônica por @blimabracher.@blimabracher @guilhermemansur Retrato de Guilherme Mansur por Carlos Bracher @ateliecasabracher

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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cristiano marques

Texto perfeito, transcendental.