Crônicas

Abandono de cães na pandemia: discussão na Câmara de Ouro Preto

A Câmara de Ouro Preto realiza hoje (14) uma audiência pública sobre Direito, bem-estar e proteção dos animais às 14h30.

💬 Questionamentos e dúvidas podem ser enviados para o WhatsApp 3552-8528

Dedico este pequeno texto aos animais: Antes podia andar pelas ruas tinha um amor a cada esquina. Alguns me olhavam com jeito pidão de “me leva pra casa”. Outros apenas me olhavam de lado e davam a impressão de sorrir. Saiam altivos, com o peso do mundo nas costas e a malandragem de quem conhece a vida. Outros ainda se esquivavam desconfiados. Olhar de relance, medo do chute. Porque chute na bunda dói. E estes já levaram muitos… Mas agora, é o abandono e a indiferença que matam. O que aconteceu com todos aqueles que passavam e me davam alguma migalha? E me aqueciam por alguns instantes a solidão de vagar sem rumo pelas ruas? Estamos sozinhos, abandonados, com fome e medo. Alguma coisa paira no ar. Mãezinhas procuram abrigos pra dar a luz: ninhadas fracas, o leite seco, a vida só. São frágeis matilhas, colorindo as ruas? São anjos na terra: vagando, vagabundando, ou vagabundeando. Pedaços de mim que se escondem atrás das igrejas, nos terrenos baldios e matagais. Adorávamos festas. Sempre sobrava algum de comer pra nós. Mas as aglomerações acabaram e se esqueceram da gente. Esperar migalhas, um olhar de carinho, um chamado amigo: tudo se foi. Tudo em vão. Almas boas que costumávamos seguir por algumas quadras agora não vem mais. Estamos perdidos pelas ruas novamente. Temos frio, sede e fome de amor. Porque sumiram todos? Não se esqueçam de nós. Não nos abandonem. Não transmitimos Covid-19. Queremos apenas viver com amor. Se puderem deixem água e comida pra nós. Sentimos que há algo estranho no ar: ruas vazias… Mas não se esqueçam de nós.

Blima Bracher

Blima Bracher é jornalista, formada pela UFMG e Engenheira Civil. Trabalhou doze anos em TV como repórter e apresentadora na Globo e Band Minas. Foi Editora da Revista Encontro e Encontro Gastrô. Escritora, cineasta e cronista premiada.

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  • Toda vez que preciso sair reparo esse detalhe: devem pensar: "para onde foram todos? E aquele potinho de comida que deixavam p mim? A água fresquinha? Cadê???" Queria levar todos eles p minha casa! :(

  • É mesmo? Estão com dózinha?

    Então respondam por favor: porque pobre tem que arrumar tanto cachorro?

    Os desgraçados não conseguem cuidar e quando tem uma crise, é isso aí. Abandonam e foda-se.

    PORQUE POBRE ADORA CACHORRO? Ter cachorro é gastar dinheiro, sabiam, seus burros?

    Cachorro é a praga de qualquer vizinhança. Bicho barulhento e mimado.Quer acabar com o sossego do seu vizinho? Arrume um cachorro.

    VSF

  • A minha é adotada.
    Quando quiser ter um pet: adote!
    São seus melhores amigos: pode ter certeza.

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