Blima Bracher

Rainha de Copas

Crônica, por Blima Bracher. Imagem reprodução.

Sou a  rainha de mármore, que foi cuspida do tabuleiro. Estou em fuga pela floresta cinza, escapando longe de peões cavalos, bispos e torres.  Meu marido, o rei,  estremece ao longe, mas segue firme ao caminho do mar.

O novo é  melhor aceito. Mas a vanguarda segue apedrejada. Sento-me numa pedra. Sinto o suor frio escorrendo pelas costas. Minhas espátulas mexem em vibrato. Algum perfume verde preenche os pulmões.  Alfazema in natura tem um aroma incrível.

Ouço gritos e festejos ao longe. Agora estou segura. Tenho camas e camafeus. Enferrujados e ainda belos. Queria o trote equino. Mas tenho lareira e vinho tinto. Meu Rei é  de mares calmos. E diz que sou sua sereia. Sereia das Montanhas. Seria Oxum minha guia? Me sinto entre Xangô e Oxalá.

Mas sou cristã pela essência de entrega. Cristiana por atos, desejos e passos. A Via Crucis me espera? Já eu  espero a  Via Iluminada. A rua livre e receptiva. Cetim azul quero usar à  noite. Tal como fui anjo no altar do Pilar. Um canto tênue ecoa no varal. São roupas finas querendo voar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.