Blima Bracher

Bracher pinta no IEPHA segunda parte do painel sobre a capital de Minas

IEPHA/MG recebe Carlos Bracher para segunda fase de produção do projeto “Belo Horizonte, Cidade da Cultura – Pampulha, Patrimônio Cultural da Humanidade”

O artista iniciou recentemente em Ouro Preto a produção de um painel, que será composto por três grandes telas, que fará parte do acervo de um dos equipamentos do Circuito Liberdade. A próxima fase de produção da obra de Bracher, está marcada para os próximos dias 17, 18 e 19/10, na sede do IEPHA. O projeto tem o patrocínio da Cemig, a Companhia Energética de Minas Gerais, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura e conta com a chancela da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, a Secult.

A obra, que será apresentada em formato de exposição permanente, tem sua concepção norteada pela transferência da capital de Minas Gerais, da antiga Vila Rica para Belo Horizonte. A cidade projetada para ser uma referência, a partir do traçado urbanístico de Aarão Reis, foi inaugurada em 12 de dezembro de 1897. Para representar a cidade e todas as suas nuances, Bracher optou por reunir nesta única obra diferentes técnicas, como pintura, escultura, plotagem de textos, vídeos e música, criando um cenário tridimensional. A proposta é que o espectador percorra todo o painel de forma lúdica e interativa, compreendendo as etapas e os personagens que foram determinantes na história. Desta forma, o painel “Belo Horizonte, Cidade da Cultura – Pampulha, Patrimônio Cultural da Humanidade” irá retratar o caráter dinâmico e multicultural que a capital mineira foi desenvolvendo com o passar do tempo.

“Estou muito empolgado com essa possibilidade de criar e também produzir estes trabalhos a partir deste encontro com o público. A inspiração parte da temática do projeto e agrega diversas outras manifestações que contribuíram para a formação da nossa história, como a música, a literatura, a poesia e a arquitetura”, destaca Carlos Bracher.

A ideia é que parte do processo criativo deste Painel Instalação seja aberto ao público, que poderá acompanhar o trabalho do artista em alguns momentos específicos. A proposta é que, ao final, ele integre o acervo de algum dos prédios que formam o Circuito Cultural Praça da Liberdade, e, desta forma possa ser visitado pela população local e por turistas, tornando-se mais uma das atrações culturais e artísticas do complexo, composto pelo Memorial Minas Gerais (Vale); o Museu de Mineralogia (Gerdau); o Centro Cultural Banco do Brasil; a Casa Fiat de Cultura; a Biblioteca Luiz de Bessa; o Centro do Patrimônio Cultural Cemig; e em breve a Pinacoteca Cemig Minas Gerais.

Com este trabalho, Bracher reafirma sua paixão por estas duas cidades, que abrigam suas moradas. Com isso,o artista pretende reverenciar grandes personagens da história de Minas e do Brasil, como os inconfidentes e seu grande mártir, o Tiradentes. Em 1924, Ouro Preto, considerada como o berço de Minas e da liberdade, foi palco de um célebre encontro dos Modernistas na cidade, atraindo nomes como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, além do suíço francês Blaise Cendrais.

No painel de Bracher, haverá uma conexão imaginária entre as montanhas de Ouro Preto e os personagens da nova capital, reverenciando a nova geração de poetas e intelectuais que fizeram história na cidade, entre os quais estão Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Abgar Renault e Emílio Moura, que mudam, definitivamente, os rumos culturais de Belo Horizonte e, consequentemente, de Minas Gerais. Na sequência surgem notáveis literatos como Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende, Hélio Pellegrino, Murilo Rubião, seguindo-se Roberto Drummond, Afonso Ávila, Rui Mourão, entre inumeráveis outros.

A noção de modernidade e de vanguarda floresce de forma exponencialmente durante a gestão do jovem prefeito Juscelino Kubitschek, que contrata Oscar Niemeyer, Cândido Portinari, João Ceschiatti, Burle Marx, Athos Bulcão para edificarem o Complexo da Pampulha; Guignard para a Escola de Artes; o maestro belga Arthur Bosmans e Curt Lange para montarem a Orquestra Sinfônica de Belo Horizonte.

Ainda no campo da arquitetura, a cidade ainda conta com inúmeras outras referências importantes, como Praça da Liberdade com seus prédios neoclássicos; o Palácio das Artes; o Cine-Theatro Brasil Vallourec; o Parque Municipal, os edifícios em estilo art decó, além do famoso Edifício Niemeyer, também na Praça da Liberdade.

O grande painel de Bracher ainda reserva espaço para retratar a nossa estreita relação com a gastronomia, com a moda e também com os esportes. Em função da sua capacidade de retratar uma parte significativa da nossa história, a proposta é que o painel receba visitação de alunos das escolas das redes pública e privada, tornando-se uma referência para a compreensão dos fatos históricos que envolvem as duas cidades e que foram determinantes para a cultura brasileira.

Da mesma forma que Van Gogh pintou Arles, que Cézanne pintou Aix-en-Provence, que Guignard pintou Ouro Preto e que Bracher pintou Brasília; como também Ouro Preto, o mineiro agora irá retratar Belo Horizonte, criando uma obra que ficará como legado integrando-se ao acervo artístico da capital.

O registro audiovisual

Todo o processo de produção da obra será registrado em fotos e vídeos. Posteriormente, o documentário, com direção e roteiro assinados por Blima Bracher, filha do artista, passará a fazer parte da própria criação. O filme será apresentado ao público juntamente com a obra, mostrando as etapas, desde sua concepção em papel até a realização final da obra em si, inclusive com as sessões de pintura, ao vivo, diante do público que visitará o processo criativo.

Anota aí: Carlos Bracher dá continuidade à produção do painel “Belo Horizonte, Cidade da Cultura – Pampulha, Patrimônio Cultural da Humanidade”, com série de performances live-painting na capital mineira
Datas: 17, 18 e 19 de outubro – terça, quarta e quinta
O músico Toninho Horta irá surpreender o público com um pocket-show em um dos dias de performance do artista.
Horário: de 9h30 às 11h30
Local: IEPHA/MG(Praça da Liberdade, 470 – Funcionários – BH/MG)
Entrada Franca

Texto: Fábio Gomides
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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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