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Hip Hop em foco

Dividido nas categorias MC, DJ, dança e graffiti, um edital da Secretaria de Estado da Cultura vai premiar os expoentes da cultura hip hop, com R$ 280 mil divididos em 28 prêmios. As  inscrições podem ser realizadas até dia 14 de novembro, pelo link   www.cultura.mg.gov.br.

No caldeirão das periferias das cidades fervilham importantes manifestações culturais. São locais que se configuram não somente como ponto de resistência, mas também como espaço de convergência. “Este é um relevante mecanismo de empoderamento das comunidades e fortalecimento de suas identidades reside nessas culturas”, diz o secretário-adjunto de Estado de Cultura, João Miguel.  “Valorizar as linguagens urbanas é essencial para a cultura mineira. É nesse sentido que o secretário Ângelo Oswaldo promove este relevante e imprescindível instrumento democrático”, diz João Miguel

. Para a superintendente de Interiorização e Ação Cultural, Manuella Machado, o edital fomenta não só a produção contemporânea da cultura hip hop, mas também contribui para o fortalecimento da cena e do engajamento das próximas gerações de artistas. “Reconhecer a potência de uma cultura que nasceu nas periferias e que possui uma ampla capacidade de articulação e de discurso fortalece a produção e incentiva o surgimento de novos artistas”.

As categorias a serem contempladas são:

MC: músico que compõe e canta o rap ou que faz o freestyle

DJ: operador de discos que faz bases e colagens rítmicas sobre as quais se articulam os outros elementos do hip hop

Dança: estilos que contam com improvisação (freestyle) e eventualmente com batalhas (competições formais ou informais de dança). Os estilos são locking, breaking, popping, hip hop dance e krump.

Graffiti: inscrições caligrafadas ou desenhos pintados ou gravados sobre suportes que possibilitem a intervenção artística em espaços urbanos), o edital distribui sete prêmios para cada um dos

Prêmio de Cultura Urbana de Periferia – Canela Fina busca difundir, aprimorar e consolidar a noção de cultura urbana de periferia, que vêm redimensionando tanto suas identidades étnicas quanto as representações sobre o próprio contexto onde vivem. O nome do edital é uma homenagem ao MC Canela Fina, um dos grandes nomes do hip hop de Minas Gerais. Foi integrante do Retrato Radical, grupo referência do rap mineiro, com o qual gravou três discos: “Seja Mais Um” (1995), “O Barril Explodiu” (2000) e “Homem Bomba” (2010). Além disso, integrou em 1997 o grupo Black Soul, com o qual gravou o álbum “Patriamada”, o primeiro CD de rap mineiro lançado por gravadora e com distribuição nacional. O disco saiu pelo selo Atração Fonográfica, que na época tinha artistas como Bezerra da Silva, Beto Barbosa e 509-E. Até hoje seu nome consta como um dos rappers com o maior número de registros fonográficos da capital, sendo que o primeiro álbum do rapper foi produzido em vinil pelo DJ A Coisa e lançado pelo selo local “Black White Discos”. Canela Fina, ou Black, como muitos o chamavam, foi um MC habilidoso e um letrista versátil, considerado um dos melhores letristas do rap nacional. Sua morte prematura, ocorrida em 2015 após um infarto, deixou um espaço vago na cena do hip hop mineiro.

Quem pode se inscrever no Prêmio de Cultura Urbana de Periferia – Canela Fina

O edital é direcionado a artistas, produtores, coletivos e grupos ligados à cultura do Hip Hop. Podem se inscrever na premiação pessoas físicas, coletivos artísticos ou pessoas jurídicas sem fins lucrativos e que residam há, no mínimo, um ano em áreas de vulnerabilidade social de aglomerados, favelas e vilas dos municípios de Minas Gerais com população igual ou superior a cem mil habitantes. O edital irá contemplar projetos ou ações já executadas ou em execução.

Blima Bracher

Blima Bracher é jornalista, formada pela UFMG e Engenheira Civil. Trabalhou doze anos em TV como repórter e apresentadora na Globo e Band Minas. Foi Editora da Revista Encontro e Encontro Gastrô. Escritora, cineasta e cronista premiada.

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