Blima Bracher

Meus dias de vampira

Crônica, por Blima Bracher

Meus dias de vampira Porque, de vez em quando, dá vontade de ouvir música francesa, de óculos escuros, no meio da tarde, com cortinas fechadas. Começar com Bruni e finalizar com Brel. Sem dispensar o inglês do Paramore, sobrevoando florestas. Nem o baianês metálico da Pitty: “Só por hoje não vou tomar minha dose de você”.

Vampira, eu? Só duas vezes por ano. Porque ser Cinderela dá trabalho. E detesto andar descalça. Deus me livre de perder o sapato … A meia noite, então? Socorro. Cadê minhas Havaianas?

Preferia ser Dona Baratinha, com muito dinheiro na caixinha. Mas hoje estou soturna. Embora meus crushes sejam lobisomens. Eventualmente, algum vampiro.

Falando em fábulas, adoraria estar no cortejo real, no momento em que o moleque grita: ” O rei está nu”. E hoje, especialmente hoje, trocaria o lobisomem por um vampiro. A não ser que o lobisomem fosse o Benício del Toro. Aí não trocava era nunca. 
“Pourtant quelqu’un m’a dit
Que tu m’aimais encore
C’est quelqu’un qui m’a dit que tu m’aimais encore
Serait ce possible alors”.

Depois escuto Sua Estupidez, na voz de Gal. Dou um pulinho nostálgico na infância com Vinte e poucos anos do Fábio Jr, que minha irmã beijava na tela da TV. Sorry , Lalá. Não resisti.

E pra abrir a cortina e espantar o mofo, só mesmo um pancadão funk. Kondzilla exorcisa qualquer vampiro. Praticamente uma defumação musical. Fui.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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