Blima Bracher

Meu Halloween antecipado: crônica por Blima Bracher

Blimabracher

Blima Bracher como Arlequina no Halloween

No meu filme, Branca de Neve já virou madrasta

Quero me desembriagar deste mundo

E não tenho mais tempo pra brincar com rimas.

Queria Viniciar, mas sou Alphonsiana,

De Clarice, tenho , pelo menos, o olhar triste

E de Meireles, um saudosismo pelo que não vivi.

Queria provar os turcos

E dançar com galãs cultos

Queria dividir um charuto com Che, inebriada pela ponta de seu nariz fino,

Mas meus ídolos apertaram demais seus coturnos.

Quero que o politicamente vá a m…

Cansada das máscaras

Queria uma live onde só uma bunda ficasse rebolando

Pelvicamente, na tela

A gordura gelatinosa dos flancos ritmados a hipnotizar minhas pupilas.

Queria quebrar os óculos, todos os óculos

Que diferença fazem?

Enxergue o mundo como se-lhe forma a retina.

Quero mandar tudo às favas

Principalmente as partituras.

Quero Angu tocando tambor

Seria ótimo derrubar uma prateleira

“Eu sou rebelde, porque a vida quis assim”

Vou usar saltos e perucas

E me vestir de Arlequina

Sou minha boneca

E adoro o Coringa.

Ás vezes, como ele, queria quebrar as convenções

Desvirtue-se

Pelo menos uma vez

Aproveite pra roubar um doce

Queria ver seu cabelo despenteado um dia..

Fume de cortinas fechadas

Escute francês, alemão, árabe e russo

Mas não creia em tudo que ouve

Houve tortura

Por isso mereço um vestido azul, com sete saias de filó

Um corpete amarrado em nós

E um colar de diamantes falsos.

Pois quanto mais verdadeiros são, mais falsos são seus donos.

A mim me basta um rabo de cavalo

E uma tiara de pedrinhas

Mas que sejam bem brilhantes

“Pra eu pegar as malas lá fora

Abrir as portas do fusca lá fora…

E eu vou guiando…”

P.S.: Sempre detestei maçãs http://www.uai.com.br

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.