Blima Bracher

Ficção Científica ou Covid-19, crônica por Blima Bracher

Ficção científica? Não, Covid- 19; Foto reprodução

Ainda não faz tanto tempo assim… Eu de pijamas tomando Danoninho dentro de uma cabaninha com motivos do Sítio do Pica Pau Amarelo, assistindo desenhos animados pela janelinha.

Naquela época, eu achava que o Cid Moreira estava me vendo de dentro da tv, e por isso, evitava sair pelo quarto de pijaminha e meias.

Havia um desenho, já bem antigo àquela época: os Jetsons: uma família que andava em carros voadores e tinha braços mecânicos para tudo.

Perguntei ao meu pai: _ No futuro será assim? Teremos carros que voam? E papai, otimista que era dizia que sim. Me botava no bagageiro da Variant e, assim eu tinha a sensação de voar como os Jetsons.

Quando Hélio Costa anunciava no Fantástico que os cientistas descobririam a fonte da vida eterna, para pobres defuntos ricos que preferiam o congelamento em crio não-sei-quê, eu morria de medo.

Imagina um futuro de zumbis que viveram nos séculos passados?!

Burrice pura. Algum Faraó voltou do pó mesmo com toda a magia e encomendações dos sacerdotes?

Foi então que comecei a ter birra de ficção científica. Quanto mais mirabolantes os inventos, mais chatos os filmes.

Depois de todos os Aliens, veio um movimento contrário da humanidade: o cinema recorreu a entes fantásticos da idade média para recriar seres voadores. Séries que bateram milhões em bilheterias dando a falsa sensação de que a magia estaria presa em algum lugar do passado, ofuscada pela pseudomodernidade assassina de encantos, elfos, fadas e dragões.

Gente, o futuro chegou e continuamos às voltas com a Guerra Fria e as guerras quentes, o terrorismo, o racismo, a homofobia, luta pelos direitos igualitários das mulheres, a violência doméstica, os mensalões, mensalinhos, roubos na cueca, reacionários malucos: um imenso zoológico humano. Vamos aplaudir toda a cultura da humanidade contida num pum de talco. Será que fedeu ou o talco ofuscou o cheiro podre?

Continuamos sem saber quem matou Marielle. Continuamos com as estatísticas alarmantes de jovens negros assassinados.

Mas, ela, a tão falada ficção científica chegou.

Assistir a um mundo de orientais embrulhados da cabeça aos pés, com máscaras ridículas e movimentos robóticos.

Sim, minha gente. Chegamos ao terceiro milênio lutando para chegarmos com alguma saúde aos 90.. quem dirá aos 100.

O máximo que alcançamos de juventude eterna foi um boom de senhoras e senhores botocados, cabelos transplantados , peitos e bundas de silicone.

Ah… e o Coronavírus, com casos inicialmente surgidos na China. A porcaria do vírus encefálico já teve competência para se espalhar em 114 países, incluindo o Brasil. O Brasil, gente, o país do futuro. Estava aí desde os anos 1960, mas teve competência, coisa que os humanos não tiveram, para evoluírem e colocarem em alerta os 7 bilhões de seres pensantes deste mísero planeta. Até o nome é mutante. Agora trata-se do Senhor Doutor Covid-19.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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