Às vezes acordo à noite com teus dois olhos rasgados me olhando embaçados pela fumaça do cigarro, ainda mais fechados pelo incômodo das cinzas.
E fico assim, por um instante, sentindo-te perto…
Me espiando. Me espionando.
Então acordo e procuro vestígios daquele quarto. Custo a perceber que os cheiros são outros e a arquitetura ao redor, ainda que parecida, apenas me enganou como lembrança onírica.
Será que do outro lado do sonho me olhas também?
E teus olhos escondem o que? Alguma paixão fulminante ainda guardada numa artéria pulsante que te faça ainda mais vivo?
Ou apenas esconde um sarcasmo triunfante por me esfregar na cara teu silêncio e desprezo depois daquelas caixas de papelão cuidadosamente embaladas com panelas e discos e algum bibelô que nos fez rir durante tardes a fio.
Então levanto e tomo um copo de água, pra acalmar esta dúvida constante em minha vida.
E procuro na memória algo que te desabone e te desmereça perante meus olhos.
Alguma agulha bem grande e afiada, que possa penetrar meu peito e costurar esta ferida. E seja como um bálsamo depois da dor.
Mas só me lembro de que: “Você não me ensinou a te esquecer / você só me ensinou a te querer e te querendo eu vou tentando me encontrar”.
E torno aos tempos em que ouvíamos rock, e dançávamos rindo, embriagados pela cerveja. Gargalhadas… e seus olhos, mais uma vez puxados, escondidos atrás da fumaça.
Hoje sei que o tempo e a distância são implacáveis na vida.
Pelo retrovisor passam tempos em que tudo brilhava, iluminado de frente pelos faróis abrindo caminhos que pareciam eternos.
Engraçado, mas pelo menos saber que habitas este planeta, me regula a hipertensão.
E ainda esfrego teus caninos saltados e teu sorriso pontiagudo.
E tua alegria me dá vontade de viver.
Nunca cumpristes a promessa de me levar a Buenos Aires, mas ver o mundo pelo teu olhar me dá a sensação de que nossas mentes se acessaram da forma mais pura e profunda possível.
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