Blima Bracher

Nota da UFOP sobre morte de aluno Charles Wallace em delegacia

Faleceu na madrugada do último domingo, 21/08, Charles Wallace dos Reis Aguiar, aluno da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).

Charles tinha 23 anos e morreu dentro da Delegacia de Polícia Civil de Ouro Preto, sob custódia do Estado. A informação oficial é a de que o estudante teria atentado contra a própria vida, na cela aonde aguardava o processamento da ocorrência.

A UFOP recebeu com profundo pesar a notícia e prestou apoio à família e aos colegas de república, por meio de representação da Diretoria do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) e da Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis (Prace).

Diante das circunstâncias da morte, solicitamos o acompanhamento do caso por parte da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção de Ouro Preto, da Comissão de Diversidade, da OAB estadual, e da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

A UFOP entende que as circunstâncias da morte do jovem estudante precisam ser melhor elucidadas pelas autoridades policiais, para avaliar se questões relacionadas a etnia, afetividade, posicionamento político e atuação de Charles em causas sociais contribuíram para o ocorrido. É de conhecimento público que as pautas identitárias e os posicionamentos políticos são atacados historicamente e no momento atual. Pessoas pretas e pardas, a população LGBTQIA+ e outros grupos são alvo da crescente intolerância que assola o país. Além disso, a morte de pessoas sob custódia do Estado evoca momentos macabros de violência institucional na história recente do Brasil e indica ter havido, no mínimo, negligência, em especial, por parte das Polícias Civil e Militar e do Governo do Estado de Minas Gerais.

A UFOP ressalta ainda o seu papel de contribuir para o desenvolvimento da sociedade, por intermédio da efetivação do direito à educação, do desenvolvimento de pesquisas e das ações de extensão. Por entender a importância da instituição pública, reafirma seu posicionamento contra o racismo, a LGBTfobia e todas as formas de discriminação e opressão que disseminam a violência e atentam contra a dignidade humana.

Reitora CLÁUDIA MARLIÉRE

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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