Em Ouro Preto

Dom Pedro II, Ouro Preto e a Escola de Minas

Foi das conversas entre o Imperador Dom Pedro II e o professor Claude-Henri Gorceix que nasce a semente do que seria a Escola de Minas e hoje a grande Universidade Federal de Ouro Preto. Gorceix assim descreveu a cidade de Ouro Preto: “Em muito pequena extensão de terreno, pode-se acompanhar a série quase completa das rochas metamórficas que constituem grande parte do território brasileiro e todos os arredores da cidade se prestam a excursões mineralógicas proveitosas e interessantes”. Com a proximidade do aniversário da Escola de Minas, fundada em 12 de outubro de 1876 e o sucesso da novela ” Nos tempos do Imperador”, busquemos memóriasque possam celebrar este profícuo encontro. Das vindas à Minas, temos o famoso diário de Dom Pedro II. Diário de Dom Pedro ll

MARÇO — 31 (5ª fª) − (…) Jantar às 5. Conferência de Gorceix no salão da Assembleia, que ficou cheio. Gorceix expôs com talento as riquezas de Minas, sobretudo a do ferro, cuja quantidade calculou em oitenta e um mil milhões de toneladas, podendo a província tornar-se fornecedora de aço ao resto do mundo se, por meio de linhito(21), de que se encontram vastos depósitos em Minas, se conseguir aceitar diretamente o seu ferro. Gostei de ouvir a exposição de ideias tão civilizadoras a oitenta léguas do Rio de Janeiro, de onde, felizmente, já começou a irradiar-se o progresso a todo o Brasil. (…)

9½, Escola de Minas(16). Arco original, em forma de martinete* (*grande martelo) e instrumentos de mineiro. Gorceix deu sua lição durante uma hora, fazendo dois estudantes, Luís Barbosa e Paulo, reconhecer rochas que estavam sobre a mesa, mostrando ambos, sobretudo Barbosa, muita aptidão. Percorri a escola que, parece-me, muito bem montada. (…)

Já dos arquivos da Escola de Minas, temos a seguinte descrição:

Historia da Escola de Minas: Idealizada por Dom Pedro II e fundada por Claude Henri Gorceix no dia 12 de Outubro de 1876, a Escola de Minas foi pioneira em estudos geológicos, mineralógico e metalúrgico.

Em uma viagem feita à França, Dom Pedro II pediu a Auguste Daubrée, que fizesse um levantamento aqui no Brasil de quais seriam as melhores formas de desenvolvimento de estudos e de exploração mineral. Auguste Daubrée tinha acabado de ser nomeado Diretor da Escola de Minas de Paris; por esse motivo, recusou o pedido de Dom Pedro, prometendo enviar Claude Henri Gorceix, pessoa de sua confiança.

Após um minucioso estudo feito aqui no Brasil, Gorceix chega à conclusão de que Ouro Preto era uma região de grande riqueza geológica e envia um relatório a D. Pedro II, informando ter encontrado o lugar ideal para fundar a sede da Escola. O ilustre fundador da Escola descrevia a cidade da seguinte forma:

“Em muito pequena extensão de terreno, pode-se acompanhar a série quase completa das rochas metamórficas que constituem grande parte do território brasileiro e todos os arredores da cidade se prestam a excursões mineralógicas proveitosas e interessantes”. (Claude Henri Gorceix)

Inicialmente, a Escola de Minas começou funcionando no antigo Palácio dos Governadores, as aulas que aconteciam inclusive aos sábados e domingos eram em tempo integral, com o objetivo de formar profissionais num menor espaço de tempo.

Gorceix foi fundador da Escola, primeiro diretor e professor de mineralogia, geologia, física e química. Faleceu no dia 6 de setembro de 1919, na França. Durante as comemorações de 94 anos da Escola, seus restos mortais foram trazidos para Ouro Preto e colocados no Mausoléu do Gorceix, localizado no primeiro prédio da Escola de Minas. Abaixo Dom Pedro II e Henri Gorceix.

Blima Bracher

Blima Bracher é jornalista, formada pela UFMG e Engenheira Civil. Trabalhou doze anos em TV como repórter e apresentadora na Globo e Band Minas. Foi Editora da Revista Encontro e Encontro Gastrô. Escritora, cineasta e cronista premiada.

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