Blima Bracher

Arte contemporânea na Casa da Ópera

Mariana Palma e sua obra A_fluir. Por Eduardo Colesi

Ocupando a Casa da Opera de Ouro Preto, pela primeira vez, a exposição Lago Interior da artista Mariana Palma (São Paulo, SP,1979) é um desdobramento da mostra “Assim como os jardins…” que aconteceu em 2021 no Palácio das Artes em Belo Horizonte. Se naquela mostra o público era convidado a construir o espaço a partir da forma, aqui, o público é parte integrante do mistério das coisas e da vida que toma o ambiente. Mariana é uma artista de reconhecimento internacional no cenário contemporâneo e sua prática acontece no drama e no mise-en-scène das imagens orgânicas presentes nas cores e texturas da paisagem cotidiana criando imagens femininas de grande potência.

Esta é a primeira vez que a Casa da Ópera de Ouro Preto recebe uma ocupação de Arte Contemporânea num evento pioneiro no Brasil. Segundo Mariana: “Nesta obra; A_Fluir, há um forte comentário sobre as imagens e forças que são visíveis através do reflexo e que tomam o espaço para si. O looping de ondas que se propagam pelo espaço induz a um estado meditativo, a repetição nos encaminha para um transe. A cachoeira desagua sem molhar, mas inunda por dentro.” A Casa da Ópera de Vila Rica, hoje Teatro Municipal de Ouro Preto, é o mais antigo teatro em funcionamento das Américas e tem papel importantíssimo para o desenvolvimento das artes no cenário Nacional. Para o curador Wagner Nardy: “Lago Interior propõe uma experiência filosófica a partir da luz e suas várias possibilidades de sentido e significação. A obra ressignifica o espaço através da instalação de uma cascata dentro do Teatro que cria um lago convidando o público ao silêncio, a interiorização e a reflexão dos muitos assuntos políticos que permeiam a relação consigo com o outro, o entorno e o universal.

Sobre a artista:

As obras de Mariana Palma são formadas por composições que utilizam diferentes referências, desde a pintura flamenga ao barroco, de onde parece inspirar-se no alto dinamismo, passando pela estamparia, vegetação e o corpo. Muito ligada à dança e ao
teatro, a obra explora os cenários onde figuram suas representações; acolhem e possibilitam uma troca entre texturas e padrões que parecem dançar em frente ao espectador. Além das pinturas e instalações, também desenvolve aquarelas e fotografias, sempre trabalhando o movimento orgânico como propulsor criativo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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