Crônica, por Blima Bracher: " Batendo Palhada" - Blima Bracher
Blima Bracher

Crônica, por Blima Bracher: ” Batendo Palhada”

Para garantir uma ceia de Natal animada, algumas receitas são infalíveis. Principalmente, no dia seguinte, batendo palhada. Os familiares ainda estão zoados de ressaca. Até o primeira estampido de latinha. A gelosa de leve rende as maiores pérolas entre os convivas. O infame peru ainda funciona. ” Quem botou o peru, quem tirou o peru, quem descongelou o peru? … e outros trocadilhos canalhas. O “pavê ou pra comer” é outro clássico que vai ecoar pelos ouvidos. Algum tiozão vai tirar o ” Faroeste Caboclo” até só uma voz continuar a saga do tal do João de Santo Cristo …. Um primo vai confessar que ama tecnobrega. E vamos descobrir alguns segredos imaculados durante o ano inteiro. Desta vez veio passar conosco uma prima da prima. Que, portando, já é prima também. A Adriana Barata já frequentou os famosos Natais do Castelinho dos Bracher. Seu pai o velho Francisco Barata foi um dos apaixonados por minha tia, Celina Bracher. E a Dri veio bater aqui no Piau. Na verdade, quem bateu mesmo foi uma cigarra desorientada. E num minuto se desfez o mito que girava em torno da Adriana Barata. Tida como mística, culta e extremamente corajosa, Adriana ia para sua fazenda entre o Rio e Minas e lá ficava, sozinha, sem nada pronunciar, em janeiro, fazendo uma limpeza espiritual. Ela continua culta, mas o mito da coragem foi derrubado pela cigarra. Ela e Larissa levantaram-se gritando. A Dri ainda tentou justificar a aversão aos insetos ” tem a patinha dura e me machucam”. Ah tá. Pra passar Natal na roça tem que ser raiz. A batida da cigarra na Dri, de pele bronzeada pelo sol, também derrubou outra teoria criada na noite antetior: a de que as cigarras se guiavam pela luz e, por isso, quatro haviam caído em cima de Larissa, a mais branca entre todos e, por isso, a mais refletora de luz. Então, Larissa criou a teoria dos bichos perseguidores. Segundo ela as cigarras miravam sua vítima. Tipo : ” vou acertar a fulana com cpf tal e RG…” e ainda continuou: “lá no Rio os morcegos miram meus convidados e ainda jogam sementes para afugenta- los “. Mas os morcegos não tem um radar especial? ” Não” disse a Larissa. “Hoje em dia se guiam pelas torres de operadoras de celulares e TVs. ” A Adriana concordou e botou fé. Pra finalizar, e guinando a prosa, a Barata disse que nem novelas consegue assistir mais. ” Tem muito marketing. Outro dia estavam falando que o personagem tal morreu e no meio das lamentações uma mulher disse que tinha que ir ali lavar umas roupinhas com Mon Bijou”…Fui

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Adriana Barata

Presentes já ganhei muitos ao longo destes quase 57 anos… mas esse Natal de 2025 me reservou, tenho certeza – o mais memorável de todos.

Blima é uma neblina suave que envolve
minha vida de “prima de prima” desde meninas que éramos nos anos 80.

Estar “no Piau” para “bater palhada” na casa verde da querida DeltaFani: já era um presente para guardar, embrulhadinho com laço e tudo na memória. (E aqui agradeço a minha “prima prima-irmã Lu, meu laço de sangue e ponte deste encontro-afeto de tantos e tantos anos com “os Bracher”.  Meu pai, o também presenteado Francisco Barata, tio e padrinho desse trator chamado Luciana Gomes, estaria lisonjeado.)

Bebé, Blé, BB, Blima Bracher é um acontecimento. E fez acontecer, com um talento literário ÍMPAR, esse texto acima.
Porém, nesta época corrida do entre-festas, somente ontem, último dia do ano, de volta à Casa Verde para celebrarmos a  vida – recebi meu presente!
“Véi”, como diria Miguelzinho, filho da prima Lu: eu fui homenageada por uma Bracher!

Babe, minha admiração por você é imensa, profunda, aguda e crônica. Sou sua fã. E, no afã de minimamente tentar agradecer  tamanha honra, chego no primeiro dia do ano com este textinho/comentário na sua casa virtual, como quem devolve o tupperware cheio de doçura e gratidão! (Eu podia usar “potinho”, “vasilha”? Sim. Mas você é especial e superlativa demais para eu não querer te universalizar!)

Gracias, Gracias e mais Gracias. Me senti imortalizada.

Obs.: mas, imortais mesmo são as cigarras, né, Lalá? Que passam anos (dizem que de 2 a 5 anos no Brasil e até 17 anos nos EUA) debaixo da terra antes de emergirem para sua curta vida adulta, voando enlouquecidas, sem brevê nem plano de voo, para nos atormentar no icônico dia seguinte, talvez ainda mais especial que a própria efeméride natalina – durante o bater de papo da Batida da Palhada!

Blima Gomes Bracher

Dri, eu amei. Você fez deste agradecimento uma outra crônica, ou como disse, um tappeware cheinho de doçura desta nossa convivência de prima da prima que já é mais que prima, é irmãzinha. Minha irmãzinha Dri Barata.