Fani Bracher retorna ao Museu da Inconfidência com exposição inédita de obras têxteis - Blima Bracher
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Fani Bracher retorna ao Museu da Inconfidência com exposição inédita de obras têxteis

Após quatro décadas de produção artística contínua e mais de cem exposições realizadas no Brasil e no exterior, a artista Fani Bracher apresenta sua segunda mostra individual no Museu da Inconfidência (MIN), em Ouro Preto, desde sua primeira participação na instituição, em 1988.
A exposição Pele e Osso será inaugurada no dia 13 de março, reunindo um conjunto de obras inéditas de sua mais recente produção têxtil. São 27 bordados e dois objetos, totalizando 29 peças: “Eu sempre gostei de bordar, não com a perfeição das bordadeiras, mas de fazer os meus zigues-zagues, minhas encruzilhadas…O meu avesso do avesso e das formas inusitadas que aparecem”
A realização da exposição no mês dedicado ao reconhecimento do protagonismo feminino reforça o compromisso do Museu com a valorização das mulheres na história, na vida e na arte, em diálogo com os desafios contemporâneos ainda presentes nesse campo. Pele e Osso apresenta obras sensíveis que reafirmam a prática da artista em territórios liminares, entre pintura, objeto e têxtil. Ao tensionar os limites entre técnica, suporte e linguagem, Fani Bracher constrói uma poética material que investiga o corpo, o tempo e a permanência. “Meu trabalho atual, com panos, retalhos, linhas e agulhas, sei como começo e nunca sei como termino. A agulha me guia e a linha segue. Penso em Machado de Assis, no apológo: ‘A agulha e a linha: Você fura o pano, nada mais, eu é que cozo, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados’.”
Fani, que trabalha embalada por músicas, busca uma interface com outras formas de arte: “Ouço o Gilberto Gil: ‘O linho e a linha: É a agulha do real nas mãos da fantasia, fosse bordando, ponto a ponto, nosso dia a dia’.”
Com curadoria de Carla Cruz e expografia de Rachel Falcão, a mostra conta com apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Ouro Preto. Segundo a curadora, “nesse conjunto de obras de Fani Bracher, a pele é mais do que um limite físico: ela se afirma como fronteira do ser. O tecido, enquanto epiderme simbólica recebe da artista o fio como quem recebe uma incisão ou um cuidado. Cada ponto marca a passagem do tempo, cada costura revela uma tentativa de permanência”.
Em entrevista, Fani Bracher destaca sua satisfação em retornar ao Museu da Inconfidência, instituição que considera fundamental para a cena histórica e cultural do país e parte constitutiva da paisagem de Ouro Preto — cidade que adotou desde o início de sua trajetória artística.
Sobre a artista
Nasceu na Fazenda Experimental em Coronel Pacheco Minas Gerais. Graduada em Jornalismo pela UFJF, em 1968 casou-se com o artista Carlos Bracher e juntos viajaram para a Europa, onde viveram por dois anos. Em Portugal fez cursos de História da Arte com o Crítico José Augusto França e Mário Gonçalves. Frequentou o atelier do Pintor Almada Negreiros e, na cidade do Porto conheceu a obra de Amadeu de Souza Cardoso. Depois de Portugal partiu em viagem de estudos pelos Museus da Dinamarca, Suécia, Finlândia, Rússia, Alemanha, Holanda, Bélgica e Inglaterra.
Fixou residência em Paris de agosto de 69 a dezembro de 70. Ainda na capital francesa participou ativamente do “Centro de Artes para estudantes e artistas americanos”, através do qual fez viagens de estudos a museus e galerias de Nova York e Washington. Na Espanha descobriu El Greco; em Toledo, Bosch; Goya em Madri; e Gaudi em Barcelona.
De volta ao Brasil estabeleceu-se em Ouro Preto onde começou a pintar em 1973. Entre 1973 e os dias atuais participou de várias exposições em Museus. Centros Culturais e Galerias de Arte no Brasil e no Japão. Realizou 30 exposições individuais em cidades brasileiras e também no Uruguai, Argentina, Peru, Colômbia, Guiana Francesa, Jamaica e França. Sobre sua obra escreveram vários críticos entre eles: Celma Alvim, Rubem Braga, Wilson Coutinho, Roberto Pontual, George Racs, Ferreira Gullar, Flávio de Aquino, Walmir Ayala, Walter Sebastião, Marcelo Castilho Avellar, Frederico Moraes e Ângelo Oswaldo de Araújo.
Ganhou 14 prêmios de pintura e tem seus trabalhos incluídos em 34 livros de Arte. O livro Fani Bracher, de Frederico e Ronald Polito, editado pela Salamandra Consultoria e Editora S.A. obteve o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro; e o V Prêmio Fernando Pini de Excelência Gráfica, como o Melhor Livro de Arte. Tem ainda publicado o livro Fani Bracher, da C/Arte Editora, autoria de José Alberto Pinho Neves.
Atualmente a artista reside e trabalha na cidade de Ouro Preto, Minas Gerais. Há cinco anos, realiza trabalho inédito com linhas e panos, buscando o reencontro com uma essência mais intimista do ser humano, em contraposição aos avanços por caminhos artificiais e midiáticos.
“Fani segue trabalhando
sem alarde. É suave e epifania
em suas obras.
Aqui o tempo é eternidade
e a placidez da aurora se confunde
com o intemporal da tarde”

Affonso Romano de Sant’Anna
Se tivesse sabido coisas mais belas seriam essas que eu teria dito – essas, sem dúvida, e não outras.
André Gide

SERVIÇO
Exposição Pele e Osso, de Fani Bracher
Abertura: 13 de março de 2026, às 19h
Local: Sala Ataíde – Anexo do Museu da Inconfidência
Rua Vereador Antônio Pereira, 03, Centro, Ouro Preto – MG

Realização: Museu da Inconfidência – Instituto Brasileiro de Museus – Ibram/MinC
Apoio: Secretaria Municipal de Cultura de Ouro Preto

Assessoria de Imprensa
Blima Bracher
ZaP (31) 98389-3066
blimabracher@gmail.com

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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